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Artigos e Informações

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    Muitos empresários ainda não identificaram a importância deste profissional na gestão empresarial das suas organizações. O artigo tem a intenção de sintetizar e proporcionar um entendimento sobre a Consultoria Empresarial...
  • 0210.2010 Empresas Familiares
    Ganhos extensivos, vão originar a necessidade de administração profissional, para que a empresa opere de forma intensiva.No Brasil ainda não aprendemos que os negócios são mutáveis e não são perpétuos. ...
  • 0310.2010 Perfis Empreendedores
    Bem, a verdade é que nenhum empreendedor é completo. Todos eles têm falhas, defeitos, problemas, como qualquer um de nós...
  • 0410.2010 Transição de Eras
    "A Era do Conhecimento está emergindo e, diferentemente da Era Industrial, nesta nova sociedade, a criação e o gerenciamento do conhecimento serão fatores decisivos no ambiente competitivo"...
  • 0510.2010 25 ações do empreendedor
    1-Tenha iniciativa
    2-Seja Criativo
    3-Mantenha-se motivado
    4-Reconheça os seus erros
    5-Torne-se um expert no que faz...
          

Transição de Eras
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"A Era do Conhecimento está emergindo e, diferentemente da Era Industrial, nesta nova sociedade, a criação e o gerenciamento do conhecimento serão fatores decisivos no ambiente competitivo"
(Peter Drucker).

Como observa O´Dell, a Era do Conhecimento não é uma cisão radical com a Era Industrial, e sim uma continuação dos esforços empreendidos em busca da competitividade. Alguns sintomas da Era do Conhecimento mostram que esta Era teve e terá início para os diversos setores da economia, em épocas distintas e distantes. O principal fator que influencia esses fatores na descoberta da importância do conhecimento no seu desempenho empresarial é o grau de competitividade a que está submetido.
Talvez, por tratar-se de um elemento um tanto abstrato, num ambiente de competição crescente, as empresas parecem se empenhar em se diferenciar por meio de investimento em tecnologias, novos processos, novas instalações, novos equipamentos e, de repente, estes fatores passam a ser condições necessárias e não mais suficientes para sermos melhor. E o que resta? Talvez neste ponto aconteça o "despertar " de uma empresa e, consequentemente, de um setor para a importância da geração e gestão do conhecimento como vantagem competitiva sustentável. É certo também que do "despertar" ao gerenciamento efetivo esse potencial vai ainda algum tempo de tentativas, erros e acertos.
Considerando a definição proposta por Michael Polanyi, conhecimento tácito é pessoal, específico ao contexto e assim difícil de ser formulado e comunicado. E conhecimento explícito ou codificado se refere ao transmissível em linguagem formal e sistemática. Sob estes conceitos, avaliando a Era Industrial, percebe-se que as empresas se deparam com infinitos problemas, que foram resolvidos com as capacidades criativa e intelectual do elemento humano. Mais ainda, muitos problemas iguais ou similares foram resolvidos diversas vezes por pessoas distintas, em áreas distintas se uma mesma empresa, muito provavelmente com soluções distintas.
Podemos constatar que a Era Industrial foi muito rica na geração de conhecimento tácito, porém, pouca coisa foi feita para, sistematicamente, torná-lo um conhecimento explícito e transferi-lo para outro indivíduo servindo de base para a "construção" de um novo conhecimento tácito e desse modo realimentar a criação de novos conhecimentos.

As evidências históricas

Algumas soluções gerenciais durante a Era Industrial evidenciam iniciativas que visavam à transferência de conhecimento. Sob a óptica da espiral do conhecimento. (Figura 1) proposta por Takeuchi e Nonaka (1997) pode-se identificar até que ponto essas práticas promovem a transferência e o gerenciamento do conhecimento. A título de amostra foram escolhidas as seguintes ferramentas gerenciais: Administração Científica de Taylor, Padronização, Técnicas para Solução de Problemas (Masp), Registros de Não-Conformidades (RNC) da ISO 9000 e Análise do Modo e Efeito da Falha (FMEA).

Administração Científica - Desenvolvida por Frederic Taylor no início do século XX.
O problema a solucionar: Baixa produção frente à demanda exigida.
A solução: Desenvolver um método mais produtivo para executar uma tarefa, documentar (conhecimento explícito) e treinar novos operadores neste método (conhecimento tácito).
A aplicação: A administração científica foi desenvolvida sob a crença de que para o trabalhador não interessa pensar, e sim apenas produzir mais e ganhar mais.
O desvio: A espiral de Nonaka foi quebrada no momento em que não se permitiu ao trabalhador a incorporação de melhorias no processo vindas de sua experiência e capacidade criativa.

Padronização - Aplicada e fortalecida dentro da Gestão da Qualidade Total (TQC)
O problema a solucionar: Baixos índices da qualidade conseguidos na indústria japonesa logo após o final da Segunda Grande Guerra.
A solução: Criar uma sistemática que permitisse aos trabalhadores avaliar seu próprio trabalho, adotar uma forma melhor e única de realizar uma tarefa, documentar essa forma para treinar novos trabalhadores e servir de base para melhorias vindas com a prática.
A aplicação: Foi bem idealizada e implementada. Atualmente as empresa que possuem um bom sistema de padronização implementado gozam de alguns de seus principais benefícios que são: participação de todos os envolvidos, facilidades para introduzir melhorias, índices da qualidade previsíveis e melhoria contínua.
O desvio: Segundo a óptica da gestão do conhecimento, não houve (quando bem implementada). Ou seja, o conhecimento tácito de um grupo de indivíduos é facilmente traduzido em conhecimento explícito (padrão) e, sistematicamente, repassado a todos os interessados por meio de treinamento no local de trabalho. Quando um processo igual ou similar, porém em outra área física da empresa (outro prédio, outra cidade ou mesmo país) precisa ser padronizado, o responsável dispõe de uma base de conhecimento de fácil consulta para pesquisar e "trazer" o conhecimento já dominado para sua área.

Metodologia para Análise e Solução de Problemas (Masp) - Originalmente chamado de QC Story (A História do Controle da Qualidade), a Masp foi desenvolvida dentro da Gestão da Qualidade Total (TQC)
O problema a solucionar: Os problemas apresentados num processo produtivo são solucionados de formas diferentes e não-científicas.
A solução: Criar uma metodologia única para ser seguida na solução de problemas e, além disso, disponibilizar um banco de dados que servisse de histórico dos problemas e soluções ocorridos ao longo do tempo. Diante de um novo problema, a primeira providência a tomar seria consultar se em algum lugar e tempo da empresa já ocorrera problema igual ou similar e qual fora sua solução.
A aplicação: Mesmo no Japão a aplicação dessa ferramenta se deu com bastante ênfase na metodologia para solução de problemas, o que agregou enorme benefício para a competitividade empresarial. Porém a formação do histórico do Controle da Qualidade foi relegada pela maioria das empresas que adotaram esta metodologia.
O desvio: Sob a óptica da gestão do conhecimento pode-se dizer que a Masp foi e tem sido excelente para o desenvolvimento do conhecimento tácito coletivo, pois é praticada por uma equipe. Porém, o registro do problema e sua solução não foram feitos ou, se feitos, forma de maneira não-planejada para fácil pesquisa. Por consequência, quando na ocorrência de problemas iguais ou similares, novas equipes são formadas e novas soluções encontradas sem aproveitamento do esforço já realizado.

ISO 9000 - RNC - As normas (série 9000) fora desenvolvidas como forma de garantir a qualidade de produtos e serviços entregues por um fornecedor. O Registro de Não-Conformidade (RNC) é um elemento da ISO 9000 que visa ao controle das não-conformidades.
O problema a solucionar: A ocorrência de descontrole sobre as não-conformidades ocorridas na produção poderia ocasionar a entrega de produtos defeituosos ao cliente.
A solução: Criar um sistema que aponte e identifique as não-conformidades, incluindo análise do ocorrido e ação corretiva para que não voltem a acontecer.
A aplicação: Está sendo aplicado como foi planejado, mesmo porque o processo de certificação via auditorias garante a aplicação.
O desvio: Similar ao Masp, os RNCs são ótimas ferramentas para documentar (tornar explícito) o conhecimento tácito de uma equipe ou de um indivíduo. Poucas empresas sistematizaram o repasse desse conhecimento explícito para outras equipes ou indivíduos.

Análise do Modo e Efeito da Falha (FMEA) - Técnica utilizada para avaliar um projeto (processo, produto ou serviço) quanto aos possíveis modos em que uma falha, defeito ou pane pode ocorrer.
O problema a solucionar: A baixa confiabilidade envolvida no desenvolvimento de um produto, do projeto à fabricação.
A solução: Criar uma sistemática da análise das potenciais falhas que podem ocorrer na fabricação de determinado produto. Essa sistemática deve incluir o registro dessa falhas potenciais e seu enriquecimento com as falhas reais ocorridas ao longo da vida do produto. Essa base de dados ligada a um produto serviria de base para a FMEA de outros produtos similares.
A aplicação: Tem sido aplicada e aprimorada. A grande barreira é a cultura de investir pouco tempo no planejamento de um produto e resolver os problemas conforme ocorrem na prática.
O desvio: Esta técnica quando bem aplicada facilita a tranferência de conhecimento, pois o conhecimento tácito desenvolvido por uma equipe no desenvolvimento de um projeto é sistematicamente documentado. As ocorrências não-previstas são incorporadas a FMEA e, esta base de conhecimento é utilizada por outras equipes quando no desenvolvimento de projetos similares.
As empresas que, por estarem inseridas em setores altamente competitivos, estiverem atualizadas com as melhores práticas de gestão da Era Industrial, estarão preparadas para a entrada na Era do Conhecimento. Isto é, as organizações que sobreviveram a mercados altamente competitivos tiveram, para isto, de incorporar à sua gestão as melhores práticas de gerenciamento. E, mesmo sem estar sob o rótulo de Gestão do Conhecimento, essas técnicas (ferramentas, filosofias e sistemas) levaram as empresas próximo desta fronteira.
Pode-se citar dentre estas técnicas alguns exemplos como: gestão participativa, gestão da qualidade, investimento no capital humano, poucos níveis hierárquicos, padronização, foco no cliente, inteligência competitiva, Masp, ISO 9000, parcerias e uso intensivo de tecnologias da informação. Da mesma forma que a mudança de Era não se inicia e não se termina de maneira abrupta, sugere-se como primeiro passo rumo à gestão do conhecimento (para as competitivas na Era Industrial) uma boa análise das práticas já consolidadas e seu aprimoramento de modo a fechar o ciclo previsto na Espiral do Conhecimento.

Fonte: Banas Qualidade